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terça-feira, 4 de maio de 2010

O futuro à Deus pertence.

Era noite, a Lua estava realmente bonita, assim como o azul petróleo que cobria o céu. O calor era constante, mesmo que algumas brisas escapassem ora ou outra pelas árvores, meu corpo continuava a suar dentro do meu vestido.
O lugar não estava tão cheio quando cheguei, a festa parecia ter começado, mesmo que com duas horas de atraso. Caminhei cuidadosamente até uma das mesas, onde poucas pessoas conhecidas estavam, as cadeiras não eram suficientes, então não pude evitar procurar por outra. Nós bebemos algumas coisas e nos divertimos, até que minha bolsa começasse a vibrar sobre a mesa. Me virei, procurando ao redor pela pessoa que provavelmente estava me ligando, me peguei sorrindo como uma boba quando meu olhar o encontrou, o celular sobre um dos ouvidos, enquanto sua expressão permanecia confusa, ou até aborrecida por não ter me encontrado ainda.
Seus olhos finalmente encontraram os meus, e eu pude vê-lo conter um sorriso largo com uma mordida no lábio inferior. Meu sorriso se estendeu, mesmo feliz, ele não deixava de ser orgulhoso! Era até engraçado a forma como eu adorava esse orgulho nele.
Nós nos abraçamos, e seu cheiro me inebriou instantaneamente. Ele sorriu de lado, meio desconfortável, cumprimentou os outros, iniciando uma conversa com alguns amigos.
Tentei me dispersar um pouco, e dar uma volta me pareceu uma boa idéia naquele momento, fui até onde poucas amigas estavam, ri um pouco e deixei que meu corpo relaxasse conforme me divertia.
Nossos olhares se encontravam aos poucos, conforme procurávamos um pelo outro.
Fui até o lado de fora, com a desculpa de pegar um pouco de ar, dez, vinte minutos depois, quando voltei a entrar na festa, ele caminhava pra fora, sem qualquer desculpa, pediu meu celular, alegando ter que ligar pro pai, por algum motivo que eu nem sequer havia prestado atenção, segundo ele "Meu celular descarregou, me empresta o seu?" Sorri e entreguei o aparelho pra ele.
Ele se encostou a uma das paredes, me puxando com a mão livre pra mais perto de seu corpo, senti minhas bochechas corarem, ou até mesmo se arroxearem. Lembro-me perfeitamente de como seus olhos não paravam num único ponto fixo, percorrendo todos os cantos da festa, como se ele estivesse nervoso, ou qualquer coisa do tipo.
Ele me olhou e sorriu "Se lembra de que você disse que iríamos casar?", não pude deixar de soltar uma risada, assentindo logo em seguida. Seus olhos capturaram os meus e então, sem pensar duas vezes -como eu imaginara que ele tivesse feito- ele lançou "E a gente nem sabe como é o beijo um do outro", lembro-me de ter dito algo, mas meu coração estava tão acelerado, que conforme seu rosto chegava mais perto do meu, todo o restante se apagava.
É engraçado a forma como vejo claramente o momento em que nossas bocas se encostaram, a sensação nova, quase excitante. Sua mão voou até o meu pescoço, enquanto a outra se concentrava em aproximar os nossos corpos, pressionando levemente a minha cintura. Nos beijamos por longo tempo, até que nos desprendêssemos e impulsivamente, um sorriso se projetasse no meu rosto.
Aquele tinha sido o primeiro momento, e naquela hora, encarando seus lábios chegarem perto de novo, eu não fazia idéia do que realmente estava por vir.
Se eu soubesse, talvez não tivesse me me maltratado dessa forma.

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